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EMIDIO CARVALHO

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Emídio Carvalho

Emídio Carvalho

Indústria: Educação
Ocupação: Formador/Terapeuta Educação Emocional
Local: Avanca : Estarreja : Portugal

Website URL: http://www.emidiocarvalho.com

A vida cem problemas...

Quinta, 17 Maio 2012 09:22 publicado em A Sombra Humana

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É sempre delicioso ouvir um amigo dizer que gostava de ser como ele: sem problemas!

É aí que ele começa a rir. E por vezes responde: “são mais de cem, mas não são importantes.”

Hoje, por exemplo. Queda nas escadas rolantes e um dente partido. E como se não bastasse, a conta no banco está com menos de cem euros (lá vem o cem outra vez), gastou tudo num curso que foi fazer a Londres. Ah! Dois clientes que tinham marcado sessão para hoje não apareceram. Sentou-se num banco na rotunda da Boavista à hora do almoço e rasgou as calças.

É curioso, ele estar a escrever isto e procurar sentir algum stress e não conseguir. Muito curioso.

A mente acredita que a atitude correcta é a preocupação, no mínimo. Mas ele sabe que a preocupação é uma máscara. Para os outros entirem empatia e para ser aceite. E não precisa que ninguém o aceite. Aceita-se.

As pessoas normais deveriam preocupar-se quando as coisas não correm bem. Mais uma mentira. As pessoas normais deveriam queixar-se por partir um dente e não ter dinheiro para ir ao dentista. Outra mentira. Ah, e para aumentar o sofrimento, as pessoas normais deveriam pensar em todas as coisas do futuro que não vão acontecer agora! Obviamente.

Ele ouve os pensamentos. Ouve-os. São queridos. São como cachorrinhos perdidos à procura da mãe. Ele é a mãe.

Ouve os pensamentos. Não lhes ralha, nem diz que estão errados ou não existem. Abre a porta e deixa-os entrar. São todos bem-vindos. E depois ele mostra-lhes como são apenas imaginação. Não são reais. A realidade é algo muito mais doce. É isto, agora.

Sem um passado, sem um futuro. Agora. O que será que a vida tem à sua espera amanhã? É bom não saber!

Ele não acredita naquelas histórias loucas que dizem para não pensar em pensamentos negativos. Não há pensamentos negativos, apenas ilusões que parecem verdadeiras.

Ele sabe que a vida, sempre sábia, irá dar-lhe as experiências que precisa. Mas só aquelas que precisa agora. As do passado, já passaram. As do futuro, não sabe.

Ele sabe que toda a humanidade precisa de problemas, é o que é: como poderia crescer de outra forma?

E sabe que não são os problemas a causar problemas, são os pensamentos que dizem que os problemas são motivo para preocupação. E os que dizem que os problemas são coisas importantes. Ele sabe que um dia o corpo morre e os problemas morrem também. E a vida, sempre sábia, continuará a viver-se.

E talvez, quando o corpo esteja morto e na terra, a terra tenha um problema. Mas só até o transformar em alimento para outros. Uma roda viva orgasmática.

PS – quando partiu o dente, sorriu. Conseguia andar! Quantas pessoas estão presas, ou numa cama de um hospital. Ele não! Ele é livre para caminhar e partir um dente. Quando se apercebeu que talvez não tivesse dinheiro para ir ao dentista sentiu-se feliz por saber que existe um dentista para ele, mesmo que não vá! Quando rasgou as calças lembrou-se de como por fim andava na moda, e riu-se. E sabe que não é o que acontece que é importante, apenas a consciência que tudo é amor (em realidade “amor” é uma palavra limitadora. O que se aproxima mais desta experiência da vida é qualquer coisa como “swuuoosssshhhiiiiuuuuhhhaaaaaiiiiiiiiishhheeeeee”!)

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A energia dos outros afecta-me...

Terça, 24 Abril 2012 23:07 publicado em A Sombra Humana

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Já ouviu isto muitas vezes. A primeira vez foi quando aprendia reiki e lhe ensinaram a proteger-se antes de efectuar uma sessão com outra pessoa. Na altura não compreendeu. Proteger-se de quê? Só se protege quem tem medo. E é saudável ter medo de saltar de um prédio, ou de beber veneno ou fazer festas a uma cascavel. Mas medo de tocar outro ser humano? Não fazia sentido. Perguntou: “Se eu vou fazer reiki a alguém para ajudar essa pessoa e tenho medo da energia dessa pessoa, não estarei a juntar à equação da cura o medo? E onde há medo não pode haver cura.” Mas o suposto “mestre” não gostou da questão. Falou-lhe de espíritos e maus-olhados e energias negativas.

De energias negativas ele já sabia um pouco. Sabia, por exemplo, que se não houvesse uma energia negativa não seria possível a electricidade. Da mesma forma que só poderia saborear a alegria se tivesse passado pela experiência da tristeza. Ou não.

Quando ele está ao lado de outro, a mente conta-lhe uma história. E se a pessoa a seu lado aparenta estar mal a mente conta esta história: “é um privilégio poder estar a teu lado. E se eu puder ser de serviço, diz-me.” Uma história simples. Ele não fala, não se oferece para ajudar. Não vê essa necessidade. Sabe que ninguém precisa de ajuda excepto se pedir ajuda. E mesmo se alguém pedir ajuda, ele não sabe se o pedido é verdadeiro. Observa.

E observa que muitas vezes as pessoas pedem ajuda para serem ouvidas, para que alguém ouça as suas histórias de vítima e valide essas histórias. Não estão interessadas em assumir a sua responsabilidade.

Recorda-se da primeira vez que ajudou uma mulher que tinha sido violada. Ela queria ter razão na sua vitimização. Tinha direito a ser vítima e a sofrer. Pelo menos seis psicoterapeutas tinham já validado a sua história. E tinham-lhe dito que tinha que esquecer o passado e seguir em frente.

Ele sabe que pedir a alguém para esquecer o passado é o mesmo que pedir para amputar um membro. É crueldade. A mente não esquece o passado. Sabe que dói.

Ele olhou para ela e abriu os braços, afastando as mãos uma da outra tanto quanto lhe era possível. E disse-lhe: “esta é a responsabilidade de quem te violou. E não podes fazer nada em relação à sua responsabilidade. Nada!” E depois juntou as mãos, deixando menos de um centímetro de espaço entre elas. E disse-lhe: “esta é a tua responsabilidade. Estavas presente. Vamos fazer as pazes com a tua responsabilidade, porque em relação à dele, nada!”

Esta mulher era rotulada por muitos como sendo negativa, más energias, etc. Ele sabe que são histórias, e são mentiras. Quem está mal, sofre. E quem sofre pode beneficiar de amor sem qualquer condição. Ele não precisa que os outros estejam bem para ele estar bem. Não precisa que os outros emanem boas energias para ele se sentir protegido. E sabe que se alguém está mal, é apenas uma história mal contada.

Um pai que agride um filho fá-lo porque está mal. Se estivesse bem não o faria. Uma mulher que é infiel ao marido fá-lo porque não está bem, se estivesse não o faria.

E sim, ele sabe que há pessoas sem consciência e sabe que ele por vezes é inconsciente e precisa dessas pessoas para acordar. E sabe que se alguém o agredir, essa pessoa mostra-lhe que é um agressor. Ele agradece a honestidade e afasta-se. Mas se escolher ficar ao lado da pessoa que o agride, então ele mesmo é o seu próprio agressor.

E encontra adultos que foram maltratados, como ele, na infância. E sabe que são histórias de muita dor. Até acordar. Abre os braços: “a responsabilidade do pai no sofrimento da tua infância.” Junta as mãos: “a tua responsabilidade. Estavas presente. Vamos lidar com a tua responsabilidade.”

Não pinta a infância de cor-de-rosa. Não nega o que aconteceu. Ele sabe que aqueles que sofreram agressões na infância são os espíritos fortes. São os que abrem os olhos para a imensa compaixão dentro dos seus corações. São os sábios que olham para as feridas e descobrem o ouro.

E sabe que é ok continuar a culpar os outros. A mente vítima é a mais cruel de todas. A mente vítima responsabiliza todos e faz nada por si. E continuamente procura um novo agressor. O filho que não estuda, o marido que não compreende, a mãe ausente, a professora injusta, o politico corrupto. Todos são maus e todos lhe provocam sofrimento. Não quer acordar. E é ok.

E se alguém diz que tem más energias ele abraça. Um abraço verdadeiro, sem esperar nada, acalma a mente, sossega a alma e oferece paz. E ele sabe que se se proteger antes de abraçar, a outra pessoa irá sentir que o abraço leva o presente do medo consigo.

Quando toca noutro ser humano, e sente necessidade de se proteger, o toque vai contaminado com medo.

Ele recorda um querido, querido amigo. A primeira vez que o viu ele disse-lhe que lhe tinham feito magia negra. Contou-lhe que tinha encontrado penas pretas de galinha na entrada da casa. Que tinha encontrado terra do cemitério na sala. E contou-lhe todas as outras coisas que tinha encontrado. E tinha ido ao Brasil. E uma vidente lhe tinha confirmado que a magia que lhe tinham feito era poderosa e o iria matar. Este amigo pediu-lhe para se proteger, não o queria magoar. Ele riu-se. Só se protege quem tem medo. E sabe também que se há amor não pode haver medo. Ele tocou-lhe, abraçou-o. Tinha à sua frente um ser humano corajoso. Era um privilégio ser de serviço a alguém tão forte. E não conseguia compreender porque tinha que se proteger.

Depois conheceu a irmã deste homem corajoso, e o cunhado, e os sobrinhos. Que privilégio! Poder partilhar tempo com seres tão especiais. Sem protecção. Sem dúvidas que estava perante seres humanos corajosos e sábios. Ria-se muito. O riso é um bom remédio para a mente confusa. E a magia negra deixou de afectar este homem corajoso.

A mente conta histórias. As energias negativas são más. Ele pensa na electricidade e sorri.

Os outros são sempre um reflexo de si. O que vê nos outros está já em si. Não encontra excepções. O que diz aos outros é para si. Mas só 100% das vezes.

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Saber Ouvir

Sábado, 31 Março 2012 22:46 publicado em A Sombra Humana

A mente não sabe ouvir. Acredita que deveria ser ouvida, mas sem a necessidade de ouvir.

Alguma vez pediste algo, disseram-te “não” e o pedido foi repetido?

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A primeira, segunda e terceira parte deste curso pode ser frequentada por qualquer pessoa que sinta estar preparada para abraçar a totalidade que é e viver em paz. A quarta parte é específica a pessoas interessadas a fazer um trabalho de sombra com outros.

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