O cancro, a guerra, a pedofilia, a ditadura, o sexo, a escravatura, a tortura, o abuso.
E quando o amigo não concorda com a sua história, tudo o que a mente pensava sobre o cancro, ou a guerra, ou o abuso, é projectado sobre o agora inimigo.
Fazia muito isso. Um amigo passava de bestial a besta num minuto. Sempre que não se conformava com a história.
Por exemplo, a mente contava a história “A Sara é uma boa ouvinte, está sempre presente quando eu preciso.” Um dia a Sara não estava presente, e mesmo não sabendo o porquê, a mente atacava. “A Sara tem a mania que é melhor que os outros!” (isto era o que a mente pensava sobre os ditadores, agora era a vez da Sara. “A Sara só está presente quando precisa de mim”. Era o que a mente antes pensava sobre sexo. “A Sara não consegue ver o mal que me causa.” Era o que a mente pensava antes sobre o cancro.
E depois a mente perguntava-se: quem seria eu sem uma história?
Paz.
Não há histórias novas a causar stress. Todas velhas e putrefactas. E não deixam de ser boas histórias. Os pensamentos são todos queridos. Mesmo aqueles que causam stress. São queridos na forma como nos ajudam a descobrir onde ainda acreditamos numa realidade que não existe. Os pensamentos que responsabilizam os outros pelo nosso bem-estar, são mentiras. Os pensamentos que dizem que precisamos dos outros, são mentira. Os pensamentos que dizem que o mundo é perigoso, são mentira. Os pensamentos que dizem que outros sabem mais, são mentira.
E a mente consome-se nessas mentiras. Sempre à espera de um salvador, alguém que a leve de volta a casa.
Quando a mente não vê mau e bom, certo e errado, bonito e feio. Perfeição.
Ainda esta manhã esta mente esteve a trabalhar. Acreditava em mentiras. Agora deu mais um pequeno passo em direcção a casa. Volta a sentir paz.
Esta mente sabe apenas uma coisa: ainda há mentiras em que acredita. Hoje deu mais uma dentada, menos uma mentira.
