E a mente ía escrever um comentário sobre um tópico religioso. Parou. Riu-se. Não comentou.
Era apenas mais uma opinião. E a mente observa como esta opinião é desnecessária. Irrelevante. Criadora de inimizades. E é só mais uma opinião.
Ouço a Alanis Morissette: thank you silence. Quem precisa de Deus quando já temos a tua opinião?... Delicioso.
Será assim tão importante expressar as nossas opiniões? É o que a humanidade tem feito há milhares de anos. Não parece ser uma solução muito eficaz. O resultado é sempre o mesmo: guerra.
Nunca te irei convencer daquilo que escolhes não acreditar. Então para que serve a opinião da mente, excepto para provar que sabe mais, ou que está certa, ou que distingue o moral do imoral, o certo do errado?
E o que observo é que a mente nunca está certa quando a opinião causa stress, ou causa discordância ou guerra, ou obriga o outro a defender-se.
Mas a mente quer tanto que os outros gostem de si, que a valorizem, que digam que está certa, que sabe. Mas quer tanto, tanto! A necessidade de ter razão. E nunca a tem. O que observo é que partir do momento que a mente tem que lutar para ter razão já a perdeu. O que é bom, ou certo, ou perfeito, nunca precisará de uma justificação nem ser defendido.
Hoje está sol. E a mente afirma “Hoje está um dia de sol”. E alguém ao lado diz “está nada! Está um dia de chuva!” Primeiro, apenas uma mente desconectada completamente da realidade poderia fazer esta segunda afirmação. Mas mesmo que fosse feita tu não irias defender o dia. Não irias lutar para provar que está sol. Simplesmente está sol. Aquilo que é, é. O mais provável seria sorrires e continuar a caminhar.
E alguém diz “A Igreja Católica salva a humanidade”... A mente questiona-se, em silêncio, talvez seja verdade. Não se pronuncia, não há qualquer necessidade de expressar opiniões. E alguém diz “A Igreja Católica é falsa”... A mente questiona-se novamente, em silêncio, talvez seja verdade.
São só pensamentos, opiniões. O planeta continuará a rebolar independentemente destas opiniões.
É um pouco como estas pessoas que anunciam o fim do mundo... tão delicioso ouvi-las. Um mestre iluminado dizia num email há uns dias, que a sua alma tinha escolhido estar presente agora, nestes tempos de fim do mundo. E justificava o fim do mundo com os tremores de terra, tsunamis, vulcões em erupção, etc. que têm vindo a acontecer um pouco por todo o planeta. A mente louca à procura de ter razão.
A mente deste lado riu. Um planeta vivo, é onde se encontra. Um planeta onde sempre houve tremores de terra, e tsunamis e vulcões em erupção. Nada de novo. Talvez agora, devido à tecnologia, saibamos que morreram milhares de pessoas em qualquer parte do globo que rebola pelo universo. Os eventos em si não são novidade. O planeta continua vivo.
Esta mente não acredita em mentiras com facilidade. Falar de um fim do mundo próximo é mentira por um motivo simples e observável: só existe agora. E qualquer mente que fale do futuro estará a mentir, o futuro não existe. Só agora.
Porque será que a mente tem tanta dificuldade em permanecer aqui e agora? A deliciar-se neste momento único e irrepetível. Um carro soa o alarme. Que delicia poder ouvir. A audição é deliciosa, perguntem a qualquer pessoa surda.
A mente pode desfrutar deste momento. Ou pode opinar. Paraíso e inferno.
Ele vai ouvir a Alanis, deliciar-se nas suas palavras e música. Nem sabe porque o faz. Delicioso.
