Delicio-me a ouvir pessoas a falar de karma, e reencarnação, e futebol. E falam sempre a partir do ponto em que já sabem que têm razão.
Na semana passada este “eu já sei” foi supremamente delicioso. Eu “já sabia” que o melhor para um cliente meu com uma situação que se arrasta há já algum tempo era trabalhar a sua sombra. Foi um momento delicioso.
Imagina uma mente que sabe o que é melhor para a mente que já sabe! Hilariante!
Uma pessoa que se queixa dos irmãos, que tem problemas na empresa, e problemas de saúde (e tudo mentira, mas isto é outra história). E no entanto já sabia explicar tudo, e sabia que estava tudo em si, e sabia que tinha que praticar a paciência. A paciência. Esta qualidade nada mais é que arrogância simulada. A mente afirma “eu estou tão acima de ti que te vou suportar”.
A mente continua a acreditar que controla a vida, e busca continuamente a segurança num mundo onde não há segurança alguma.
E enquanto a mente é paciente não tem que agir. E acredita que isto é amor incondicional.
O amor incondicional é sempre acção. O amor incondicional não fica triste com cães e gatos abandonados – sente-se realizado por poder ajudar os que são abandonados e delicia-se nessa oportunidade da vida de ser útil. Sem qualquer necessidade de anunciar ao mundo que o fez. O amor incondicional não precisa de ser reconhecido, validado, aprovado ou amado. Dá, age, vibra. Sem espaço para a revolta, injustiça, tristeza, culpa, vergonha, medo. O amor incondicional não acredita no agora nem no eu. É agora.
O amor incondicional não compreende o que significa estar no agora, no presente. É o agora.
A mente olha para ti e surge o pensamento “tu não compreendes”. E ri. Sabe que não compreende. A mente olha para ti e sabe. Ou talvez não. Nunca sabe o que quer que seja sobre o outro. Mas vê-se no outro. E age.
A mente afirma “tu não sabes o que estás a dizer”. Bem-hajas, meu querido, por me mostrares que eu não sei o que estou a dizer. Perdoa-me. Ataquei-te. Acreditava que já sabia.
Qualquer afirmação que contenha um “preciso”, “tenho que”, “deveria”, “não deveria”, é feita a partir da mente que já sabe. E na afirmação perde-se. Mente. E não sabe.
A vida é o que acontece na mente. As histórias que se conta. E quando a mente acredita que sabe, as histórias raramente coincidem com a vida.
A mente tenta ditar como os outros deveriam viver, o que deveriam fazer e dizer. Ainda não sabe que não funciona. E nem sabe que o exemplo poderia começar por si.
A mente acredita que sabe. Mente.
