Muitos tipos de meditação. Cada qual com a sua lista de regras. Era apropriado queimar incenso, era imoral queimar incenso. Devia entoar monossílabos, qualquer som era uma distracção. Importante sentar-se na posição de lótus, melhor ainda a fazer o pino.
O que ele procurava era a mente sossegada. Silêncio dentro da mente.
E depois observava que cada técnica oferecida lhe trazia mais regras, mais faz/não faz, mais certo/errado e mais bom/mau. E acreditava que nunca conseguiria meditar. A mente nunca se calava. Por vezes ficava relativamente sossegada a pensar sobre a respiração. Mas mesmo nestas situações, não se calava.
E depois começou a descobrir que não havia iluminação através de uma prática oferecida por outro. E descobriu ainda que a iluminação era mais um jogo do ego a tentar superar-se a si mesmo. Descobria como sempre que se julgava espiritualmente evoluído, comparando-se com outros, obviamente, fazia asneira. Julgava os outros! Alguém espiritualmente evoluído não deveria julgar, obviamente.
Começou a observar-se. Observava que a mente julga continuamente. O nascer do sol bonito, a flor elegante, o sorriso terno, a sombra acolhedora. Sempre a julgar. Observou como havia julgamentos que o faziam sentir-se bem, e como outros o faziam sentir-se mal. Começou a descobrir que não era aquilo que acontecia lá fora a causa do sofrimento, mas apenas o julgamento que a mente fazia acerca daquilo que acontecia lá fora. E começou a questionar a mente, a fonte do sofrimento. Não entrava en negação, fazendo de conta que estava tudo bem, quando não estava. Aparentemente. Mas observava a realidade sem uma história.
Por vezes estava dias com um único pensamento. “Eu tenho que estar bem”. “Eu tenho que estar bem.” E observava como não tinha que estar bem, o corpo encarregava-se dessa parte sem a sua interferência. E depois observava como era a mente que podia estar melhor, questionando cada pensamento que lhe causava sofrimento.
Um dia falaram-lhe da meditação. Da importância da meditação. De como os seres iluminados meditam. E riu-se. E respondeu “prefiro medeitar, é mais agradável”.
Quando ele medeita a mente descansa. Sonha. Cuida do corpo. Faz tudo sem a interferência daqueles pensamentos todos que gritam que isto está certo e aquilo está errado, aqueloutro é melhor, etc.
Ele não medita. Ouve o corpo. O corpo diz que está cansado. Ah! Está na hora de medeitar!